O Código da Vinci: uma polêmica sem previsão de fim
O livro O Código da Vinci, lançado em 2004 no Brasil, do autor americano Dan Brown, repercute até hoje, fazendo com que a obra se mantenha entre as mais vendidas em diversos locais do mundo. Sempre há alguma polêmica em torno da trama, o que faz com que ela não seja esquecida pela mídia. Com freqüência são divulgadas declarações de impacto sobre o livro, ou instituições religiosas manifestam-se revoltadas com o conteúdo do texto, e lá está O Código da Vinci nas notícias de novo. Com o lançamento do filme no Brasil nesta sexta-feira, 19 de maio, o tema voltou a repercutir com tudo, levantando diversas polêmicas, que envolvem até solicitações de proibição do longa-metragem (para saber mais sobre a repercussão do filme, leia texto no Blog do Piero). Todos estes holofotes certamente contribuirão para manter as vendas do livro. Notícia desta última quarta-feira (17) no site da Folha Online é uma das tantas publicadas que comprova isso.
Depois do Lançamento de O Código da Vinci, Dan Brown teve outros livros publicados, como Anjos e Demônios e Fortaleza Digital, que pegaram carona na repercussão do nome do autor, atingindo bons resultados nas vendas. Entretanto, nenhum deles está perto de atingir a mesma popularidade de O Código, que não se reflete apenas nos lucros que gera à editora Sextante e ao autor, mas também nas inúmeras interpretações e avaliações que são feitas a seu respeito. O livro é classificado pela grande maioria de textos que se encontra publicados por aí como uma grande jogada de marketing, com afirmações sem fundamento e sem comprovação científica. Tentar destruir toda a história contada pela Igreja Católica desde sempre despertou a ira de diversas organizações religiosas, como a prelazia do grupo católico Opus Dei. Em artigo em seu site oficial, publicado em 2004, na época de lançamento de O Código da Vinci, o autor é acusado de deturpar de forma infantil uma realidade do passado. Em artigo mais recente, datado de 10 de maio de 2006, talvez se defendendo diante da repercussão que está surgindo em função do lançamento do filme, o Opus Dei divulgou outro artigo onde esclarece o caráter de ficção do livro e rebate a todas as acusações que a obra faz à organização, explicando como de fato ela funciona. A defesa não é à toa. Antes mesmo de começar a história em seu livro, Dan Brown lista em uma página chamada "Fatos" a Opus Dei, onde diz que a prelazia "vem sendo objeto de controvérsias recentes, devido a relatos de lavagem cerebral, coerção e prática perigosa conhecida como 'mortificação corporal'". Ou seja, o leitor que nunca ouviu falar na instituição, já inicia a leitura julgando-a.Diversos textos e materiais foram produzidos a fim de comprovar que as informações de Dan Brown não correspondem à verdade. Veja este link que lista diversos outros que têm este propósito. Em seguida ao boom de vendas e repercussão de O Código da Vinci, foram lançados até livros para argumentar seu conteúdo. Alguns deles de tamanho e quantidade de informações bem consideráveis, como "Os segredos do código", de Dan Burstein, lançado também pela editora Sextante em 2004. Assim mesmo, logo em seguida. É até de se desconfiar que este último foi editado em paralelo ao livro de Dan Brown, tendo só esperado o mundo cair em cima o assunto para chegar às bancas, assim como quem não quer nada.
Dan Brown cita diversas obras de Leonardo da Vinci, analisando-as a partir de uma perspectiva de que o pintor as construía querendo denunciar mentiras pregadas pela Igreja Católica. Texto neste link lista algumas opiniões a respeito. Entre elas, a que gera mais polêmica talvez seja a Última Ceia. Brown argumenta que o discípulo à direita de Jesus no famoso quadro seria Maria Madalena, que teria tido relacionamento amoroso com Jesus, e não a do apóstolo João.
Brown também se refere à famosíssima Monalisa em seu livro. O mesmo link citado anteriormente em relação à Última Ceia, apresenta informações que desbancam os argumentos propostos pelo autor, em outras obras, como a famosíssima Monalisa e Madona dos Rochedos.A quantidade de argumentos para desbancar o livro acaba não surtando o efeito de diminuir suas vendas e a atenção que o mesmo recebe do público. Pelo contrário, aumenta a curiosidade de quem ainda não o leu. Se verdadeiro ou não, o livro tem o mérito de prender a atenção de seus leitores. O texto, apesar de simples, é construído de forma a manter o interesse, o que não deixa de ser uma característica importante. A propósito, não era de se estranhar que o livro virasse filme, já que seu conteúdo contém tantas cenas de ação que nos permitem visualizá-las com muita facilidade.
Maio de 2006
