Este é o meu primeiro, e talvez único blog, que estou produzindo para a disciplina de jornalismo on line. Os textos aqui apresentados terão sido feitos em função dos exercícios dados em aula. O que não impede que uma hora dessas eu escreva pelo simples fato de ter me dado na telha fazer isso.

Thursday, May 18, 2006

O Código da Vinci: uma polêmica sem previsão de fim

O livro O Código da Vinci, lançado em 2004 no Brasil, do autor americano Dan Brown, repercute até hoje, fazendo com que a obra se mantenha entre as mais vendidas em diversos locais do mundo. Sempre há alguma polêmica em torno da trama, o que faz com que ela não seja esquecida pela mídia. Com freqüência são divulgadas declarações de impacto sobre o livro, ou instituições religiosas manifestam-se revoltadas com o conteúdo do texto, e lá está O Código da Vinci nas notícias de novo. Com o lançamento do filme no Brasil nesta sexta-feira, 19 de maio, o tema voltou a repercutir com tudo, levantando diversas polêmicas, que envolvem até solicitações de proibição do longa-metragem (para saber mais sobre a repercussão do filme, leia texto no Blog do Piero). Todos estes holofotes certamente contribuirão para manter as vendas do livro. Notícia desta última quarta-feira (17) no site da Folha Online é uma das tantas publicadas que comprova isso.

Depois do Lançamento de O Código da Vinci, Dan Brown teve outros livros publicados, como Anjos e Demônios e Fortaleza Digital, que pegaram carona na repercussão do nome do autor, atingindo bons resultados nas vendas. Entretanto, nenhum deles está perto de atingir a mesma popularidade de O Código, que não se reflete apenas nos lucros que gera à editora Sextante e ao autor, mas também nas inúmeras interpretações e avaliações que são feitas a seu respeito. O livro é classificado pela grande maioria de textos que se encontra publicados por aí como uma grande jogada de marketing, com afirmações sem fundamento e sem comprovação científica. Tentar destruir toda a história contada pela Igreja Católica desde sempre despertou a ira de diversas organizações religiosas, como a prelazia do grupo católico Opus Dei. Em artigo em seu site oficial, publicado em 2004, na época de lançamento de O Código da Vinci, o autor é acusado de deturpar de forma infantil uma realidade do passado. Em artigo mais recente, datado de 10 de maio de 2006, talvez se defendendo diante da repercussão que está surgindo em função do lançamento do filme, o Opus Dei divulgou outro artigo onde esclarece o caráter de ficção do livro e rebate a todas as acusações que a obra faz à organização, explicando como de fato ela funciona. A defesa não é à toa. Antes mesmo de começar a história em seu livro, Dan Brown lista em uma página chamada "Fatos" a Opus Dei, onde diz que a prelazia "vem sendo objeto de controvérsias recentes, devido a relatos de lavagem cerebral, coerção e prática perigosa conhecida como 'mortificação corporal'". Ou seja, o leitor que nunca ouviu falar na instituição, já inicia a leitura julgando-a.

Diversos textos e materiais foram produzidos a fim de comprovar que as informações de Dan Brown não correspondem à verdade. Veja este link que lista diversos outros que têm este propósito. Em seguida ao boom de vendas e repercussão de O Código da Vinci, foram lançados até livros para argumentar seu conteúdo. Alguns deles de tamanho e quantidade de informações bem consideráveis, como "Os segredos do código", de Dan Burstein, lançado também pela editora Sextante em 2004. Assim mesmo, logo em seguida. É até de se desconfiar que este último foi editado em paralelo ao livro de Dan Brown, tendo só esperado o mundo cair em cima o assunto para chegar às bancas, assim como quem não quer nada.

Dan Brown cita diversas obras de Leonardo da Vinci, analisando-as a partir de uma perspectiva de que o pintor as construía querendo denunciar mentiras pregadas pela Igreja Católica. Texto neste link lista algumas opiniões a respeito. Entre elas, a que gera mais polêmica talvez seja a Última Ceia. Brown argumenta que o discípulo à direita de Jesus no famoso quadro seria Maria Madalena, que teria tido relacionamento amoroso com Jesus, e não a do apóstolo João.

Brown também se refere à famosíssima Monalisa em seu livro. O mesmo link citado anteriormente em relação à Última Ceia, apresenta informações que desbancam os argumentos propostos pelo autor, em outras obras, como a famosíssima Monalisa e Madona dos Rochedos.

A quantidade de argumentos para desbancar o livro acaba não surtando o efeito de diminuir suas vendas e a atenção que o mesmo recebe do público. Pelo contrário, aumenta a curiosidade de quem ainda não o leu. Se verdadeiro ou não, o livro tem o mérito de prender a atenção de seus leitores. O texto, apesar de simples, é construído de forma a manter o interesse, o que não deixa de ser uma característica importante. A propósito, não era de se estranhar que o livro virasse filme, já que seu conteúdo contém tantas cenas de ação que nos permitem visualizá-las com muita facilidade.

Maio de 2006

Friday, April 28, 2006

Análise de leitura sobre hipertexto

Os textos analisados, Cultura da Interface – como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar, de Steven Johnson, e O que é o virtual?, de Pierre Lévy, tratam de hipertexto, mas trazem à tona muito mais do que simples definições sobre o tema. Abordam a forma como a tecnologia e o uso do computador para leitura e para escrita reconstruíram na cabeça das pessoas estes conceitos que pareciam tão bem definidos.

A presença em um mundo virtual

Pierre Lévy inicia sua abordagem tratando da telepresença, que para o autor é mais que a simples projeção da imagem, uma vez que o próprio telefone não só transporta a voz, mas também a separa de sua origem, no caso, da pessoa que fala.

Para sentir a presença de algo ou de alguém, não é necessário que o mesmo esteja ao seu lado. Você ouve a voz de uma pessoa pelo telefone, conversa online de forma instantânea e uma webcam te permite acompanhar o que está se passando com o outro, mesmo que ele esteja do outro lado do mundo. Por mais estranho que se possa parecer, pessoas casam virtualmente, mesmo sem nunca terem se visto frente a frente, em carne e osso. É estranho, mas é uma realidade. Para comprovar sua tese, Lévy sai do campo da comunicação e cita o exemplo de imagens médicas, que permitem que se veja o interior do corpo sem a necessidade de abri-lo ou atravessá-lo.

Questionando sobre esta virtualização, Lévy conclui: “A virtualização do corpo não é portanto uma desencarnação, mas uma reinvenção, uma reencarnação, uma multiplicação, uma vetorização, uma heterogênese do humano”.

Computadores. Como vivíamos sem eles?

Steven Johnson trabalha minuciosamente esta temática ao narrar sua própria experiência com computadores; desde quando os utilizava apenas para digitar conteúdos trabalhados em aula, até seu momento atual, onde encontra dificuldades para escrever à mão, tão acostumado está com a máquina. Como o próprio autor cita, esta é uma situação comum a muitas pessoas. Computadores foram inicialmente vistos com estranheza pelo “grande público”. Quem não conhecia a fundo o potencial de uma destas máquinas não acreditava que ele seria tão útil. Após o convívio, todos se perguntam como era possível a vida sem um deles. O mesmo ocorreu com diversas outras descobertas, desde a luz elétrica ao telefone celular. E computadores com certeza não serão os últimos a enfrentarem este posicionamento.

Johnson questiona o que fez com que os computadores vencessem esta resistência humana. Para ele, o principal responsável é o design de interface, que desperta o interesse das pessoas. Junto a este fator, muitos outros aspectos se juntam. O design facilita a compreensão, faz com que mais pessoas utilizem as máquinas sem problemas. Assim, as facilidades propostas pela tecnologia vão se espalhando, atingindo o interesse de mais pessoas. As inovações estéticas apresentadas pelos aparelhos também são citadas como fatores importantes nesta aproximação homem-máquina.

O novo processo construtivo altera a forma de pensar, de escrever e de significar

“O computador transforma fundamentalmente o modo como concebemos nossas frases, o processo de pensamento que se desenrola paralelamente ao processo de escrever”, citando Johnson. Com um processador de texto, ao inverso do que ocorre quando escrevemos direto no papel, primeiro escrevemos para depois avaliar se a idéia está colocada corretamente, se é aquilo mesmo que se quer. Que pessoa que utiliza com freqüência o computador para escrever, consegue fazer uma prova à mão sem nenhuma rasura, se obrigando até a passar a limpo devido à alta quantidade de erros e rabiscos? Johnson chega mesmo a suspeitar que o computador transforma não apenas a forma como se escreve, mas também a forma como se pensa.

Não apenas a forma de escrever sofre alterações. A leitura também muda. Pierre Lévy trabalha com a idéia de que a leitura tem um sentido único para cada pessoa. É o que cada um entende e conclui a partir de um texto, que constrói seu significado. O leitor fabrica o sentido.

Leitura como edição
Que diferença há na leitura em um suporte estático, como um livro, ou na tela de um computador? Toda. É o que Lévy apresenta dando seguimento à sua análise. Um material, seja ele textual ou audiovisual, pode ser produzido por um computador, mas, se apresentado em suportes clássicos, não haverá diferença alguma. O segredo está no momento em que este material é lido ou assistido pelo receptor, a forma como este processo ocorre. O computador permite a visualização de diversos conteúdos simultânea e automaticamente. “A tela informática é uma nova ‘máquina de ler’, o lugar onde uma reserva de informação possível vem se realizar por seleção, aqui e agora, para um leitor particular”, argumenta Lévy, ao concluir que “toda leitura em computador é uma edição, uma montagem singular”. Seguindo a mesma linha, Johnson declara: “ser digital significa poder ser reinventado ao clique de um mouse”.

Além de permitir outras formas de leitura, o suporte digital permite outra forma de escrita: a coletiva. A autoria coletiva é um fenômeno que vem crescendo. Uma ferramenta que cada vez mais se expande é o Wikipedia, enciclopédia virtual com definições e explicações dos mais variados temas. Detalhe: qualquer internauta pode editar os conteúdos já existentes ou criar outros.

A partir de um determinado texto um autor pode desenvolver outro conteúdo, relacionando os dois, assim como estes mesmo podem estar “lincados” com outros conteúdos, através de ligações hipertextuais, como classifica Lévy. A interpretação que o receptor dá a um material o transforma em outro conteúdo, que integra um campo textual disponível, que se relaciona a outros, gerando assim uma cedia de dados interligados: é o texto estruturado em rede. Seria a tão falada virtualização da leitura, uma leitura artificial, que, para Lévy, já existe há muito tempo, porém em formatos antigos, como os livros e jornais.

Uma enciclopédia clássica já seria de tipo hipertextual, já que uma informação remete à outra. A grande diferença se dá na agilidade que o suporte digital permite. Assim, leitura e escrita se confundem.

Computador como investigador

Steven Johnson, após abordar a forma como os computadores passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, trata de como estas máquinas podem ser verdadeiros detetives, mesmo que atuando de forma “robótica”, sem pensar. Isso vai desde as investigações citadas em seu texto, o caso Primary colors e Shakespeare, até os programas de localização que utilizamos rotineiramente.

Desterritorialização e o fim do impresso?

Lévy encerra seu capítulo tratando da mudança no conceito de unidade e de identidade. Não há apenas um texto, mas texto. Já quanto à extinção do impresso, o autor refuta a idéia, e, com razão: uma nova mídia sempre modifica o cenário, mas não necessariamente extingue os anteriores.

Friday, March 31, 2006

A posse de Guido Mantega em quatro portais brasileiros

Com a saída de Antônio Palocci do cargo de Ministro da Fazenda, assume Guido Mantega, ex-presidente do Banco Nacional para o Desenvolvimento Social e Econômico, BNDES. A mudança em um cargo tão importante para o cenário político e econômico do país não foi ignorada, e qualquer veículo que se preste que aborde estas duas temáticas, deu páginas de destaque para a notícia em 28 de março, quando Mantega assumiu. Os depoimentos dados pelo Ministro foram fragmentados de forma a gerar várias matérias sobre o assunto.

Abaixo segue uma breve análise sobre como a cobertura da posse de Mantega foi divulgada por quatro sites: Ig (último Segundo), Folha de São Paulo, Terra e O Globo Online. Todas focam em frases de efeito que foram ditas em entrevista dada pelo já Ministro da Fazenda.

Analisando primeiro como foi dado o destaque para o assunto nas capas dos portais, em O Globo Online a manchete da matéria vem sem imagem, apresentada abaixo de outra sem relação com o tema e ao lado de outra que também trata da mudança no Ministério da Fazenda. É possível visualizar a matéria completa clicando tanto no título quanto no lead.

Já no Portal Ig, o Último Segundo logo na capa da editoria de economia é apresentada uma foto com Mantega e Palocci. O título leva ao link de uma matéria sobre o tema, e a legenda da foto para outra, também sobre o mesmo assunto, a qual será analisada. Ao lado da legenda consta: assista à entrevista. Clicando ali se tem acesso à notícia (que, importante ressaltar, não é a mesma do título, e a outro link no qual é possível assistir à entrevista concedida por Mantega. Este é um diferencial disponibilizado pelo portal, que, com textos resumidos, oferece a entrevista para que o próprio internauta assista e destaque para si os trechos que considera mais importantes.

Na Folha Online a manchete não usa de foto, mas de título e lead ainda na capa para resumir a notícia. Abaixo deste lead, um link encaminha para outra notícia que faz referência ao mesmo tema. Para visualizar a matéria completa é preciso clicar no título.

No Portal Terra a notícia sobre as declarações de Mantega aparece como primeiro destaque da "capa" do site. Também é utilizada uma foto pequena, com linha de apoio. As proporções desta chamada são bem maiores se comparadas às da chamada de O Globo Online, mas grandes quando comparadas a outras notícias que recebem menor destaque no próprio portal Terra, uma vez que estas são apresentadas em uma ou no máximo duas linhas, em letras pequenas. Ao lado da linha de apoio um link "Leia Mais" leva à matéria em si.

Analisando agora os títulos das matérias, todos usam trechos de depoimentos dados por Mantega. Frases do tipo "Mantega diz...." se antecedem ao próprio lead, ou à linha de apoio, querendo resumir, na medida do possível, as opiniões do Ministro.

Pro espaço!

Durante esta semana, o país acompanhou a odisséia brasileira no espaço. Na quarta-feira, dia 30, o astronauta Marcos Pontes partiu rumo a Estação Espacial Internacional. O fato inédito na história do país foi destaque em várias mídias, principalmente a internet. E a variação de um veículo para outro é impressionante.

Terra - Astronauta brasileiro decola rumo ao espaço

O portal Terra coloca o fato em destaque na sua página inicial, de uma maneira simples - o título destacado em azul e o lead sobre a decolagem do foguete. Ao clicar em "leia mais", o internauta é direcionado para a matéria localizada em uma sessão especial do portal, dedicada ao fato. O design da página muda, com destaque para o preto como plano de fundo. Abaixo do lead, o Terra disponibiliza três links - galeria de fotos, vídeo do lançamento do foguete e fotolog do astronauta. Ao lado da matéria, links de notícias relacionadas a participação do Brasil no espaço.

Último Segundo - Agência Espacial Brasileira atrapalhou, diz médico de Pontes

Já o portal Último Segundo não deu tanta ênfase assim para a nossa conquista espacial. Na página principal, os fatos destacados eram a identificação de uma proteína ligada à propagação do câncer (através da manchete) e o eclipse do sol (através de foto). Ao lado da foto, um dos links para matérias diversas não falava sobre a decolagem, mas sobre os empecílios que a Agência Espacial Brasileira criou para a viagem de Marcos Pontes. A matéria, de dois parágrafos, indica que o leitor pode ler mais sobre o incidente no site da BBC. Abaixo da matéria, quatro links direcionam o internauta para matérias relacionadas sobre a decolagem do astronauta brasileiro, e outros quatro sobre o tema da editoria.

Folha Online - Astronauta brasileiro inicia viagem ao espaço

Na página inicial daFolha Online, a viagem do astronauta brasileiro teve destaque. Junto ao lead da matéria, um link direciona o internauta para a biografia de Marcos Pontes. Ao lado, uma foto ilustra a comemoração da família no momento do lançamento. Clicando na matéria principal, somos direcionados para uma sessão especial do site dedicada ao fato. A mesma introdução da home (lead, foto da família e link para biografia) se mantém. Abaixo deste box, galerias de imagens, fóruns de discussões e matérias relacionadas com o evento ficam ao alcance do clique. A matéria principal realiza um apanhado geral sobre a decolagem do foguete. Ao final, a Folha apresenta quatro links relacionados com o momento, e mais quatro relacionados com a editoria.

O Globo - Um dia para entrar para a história

A capa da editoria de ciência da Globo Online exibe um banner especial sobre a sessão dedicada ao astronauta. A figura linka para três matérias sobre o brasileiro. Abaixo, links para galerias de fotos e fórum de discussão. A matéria principal traz muitas informações e duas fotos - enquanto que nos outros havia uma ou nenhuma. Ao final, vários links sobre a viagem do astronauta, com chamada para a galeria de fotos e fórum.

Dos quatro portais analizados, o site daGlobo Online é o mais completo e sóbrio na maneira de noticiar o fato> Possui mais informações e não faz com que o usuário clique em várias janelas até localizar o que quer ler.

Friday, March 24, 2006

Os filmes e a pirataria

Em um mundo virtual onde cada vez mais sites disponibilizam todos os tipos de entretenimento digital, é possível encontrar na internet filmes que ainda nem chegaram ao Brasil, ou que ainda estão em exibição nos cinemas. Essa possibilidade afeta desde as produtoras hollywoodianas, que se desdobram para colocar seus filmes em cinemas por todo o mundo, até a locadora de vídeo da sua rua, que perde clientes.

Notícia ainda de 2004 da France Press, publicada no site da Folha de São Paulo, apresenta argumento da Associação de Cinema dos Estados Unidos (MPAA, sigla em inglês) contra este tipo de atividade. Segundo a MPAA, a pirataria provoca perdas gigantes, que chegariam a US$ 3 bilhões, ameaçando o futuro da indústria cinematográfica.

O cinema sofre com a pirataria assim como todos os outros tipos de mídias eletrônicas. Talvez a pirataria seja um dia responsável pela redução no número de pessoas que vão ao cinema, que alugam DVDs para assistir em casa ou que têm canais de assinatura para assistir a filmes. Acontece que cada vez que uma mídia surge e cresce (ainda mais quando cresce de forma tão veloz quanto a internet), ela altera todo o cenário de mídias. A TV quando surgiu foi vista como a que seria responsável pela destruição da mídia radiofônica. O rádio sofreu, perdeu ouvintes, alguns formatos de programa foram praticamente extintos, como a radionovela, mas conseguiu uperar o baque. Tratou de se focar e investir nos seus diferenciais, mantendo um público fiel, além de arrebanhar novos ouvintes.

Mecanismos anticópia: até que ponto ser a favor deles?

Há alguns anos você escolhia o melhor momento de programação da sua rádio preferida e selecionava aquela fitinha cassete perdida na gaveta, com músicas que você já não gostava mais. Então, era só colocá-la no ponto certo, acionar o botão Rec e pronto: você gravava a programação da rádio e ouvia repetidas vezes as suas canções ou programas preferidos. Também havia a possibilidade de gravar o conteúdo de uma fita em outro. Eis que chega o novo queridinho do pedaço: o CD. Som com muito mais qualidade, tecnologia moderna. Se descobrir então que era possível gravar os conteúdos de CDs em outros. A pirataria, que sempre existiu em diversos setores, como o mesmo que transformava os tênis da marca Fila em "Tila", não poupou o CD, e é claro, outras tecnologias. O mercado, que fatura muito com a venda destas mídias, tratou de se posicionar a respeito, passando a implantar mecanismos anticópia em seus produtos. Este é um problema enfrentado pela indústria midiática como um todo, envolvendo DVDs, softwares e jogos eletrônicos. E é claro que enquanto as empresas se voltam para a criação e o aperfeiçoamento destes sitemas de segurança, pessoas descobrem maneiras de burlá-los, criando assim um ciclo de disputa pelo direito de usufruir deste conteúdos midiáticos.

Os mecanismos implantados para evitar cópia não barram apenas os vendedores de mídias piratas que vemos espalhados pelos calçadões das grandes cidades, mas também as cópias feitas com fins domésticos. Assim, até que ponto a proteção contra a reprodução destes materiais é justa? Afinal, alguma vez você foi julgado por gravar a programação de uma rádio local? Uma coisa é você fazer estas cópias com fins comerciais, para obter lucro. Outra é você gravar uma seleção de músicas para tocar na reunião dançante da sua irmã mais nova.

Porque um software, por exemplo, não deve ser copiado? Ok, para que este material surgisse no mercado, alguém, ou mesmo uma equipe de profissionais, precisou dedicar
certo tempo para criá-lo. Agora, até que ponto este conhecimento tem de ser cobrado, não pode ser disponibilizado livremente para todos? Afinal, um conhecimento não surge do nada, ele é, na maioria das vezes, uma construção, uma união de conhecimentos anteriores. Esta é uma questão muito debatida ultimamente quando se fala em ética em uma era de tanta tecnologia quanto a em que vivemos. Todos estes argumentos que costumamos ouvir fundados na conduta e na ética, são na verdade propagados a benefício de quem? Quem ganha com tudo isso?

Vejamos o que ocorre com o mercado da música. Qual a melhor fonte de renda para um cantor, ou uma banda: o valor arrecadado em apresentações ou a venda de CDs? Mesmo os cantores mais renomados, pouco ganham com a venda de seus CDs ou DVDs. Quem fatura são as gravadoras. Talvez você já tenha visto comerciais de CDs onde no fim aparece escrito: "Não compre CD pirata, seu artista preferido agradece". Será que eles agradecem mesmo? Talvez sim, afinal, a venda de CDs originais serve para se ter um número oficial de vendas, dando parâmetros de como vai a repercussão de seu trabalho. Além disso, esta apuração dá ao artista o privilégio de ir ao Domingão do Faustão, ou a outro programa de auditório, para receber seu Disco de Ouro. Mas convenhamos, há outras maneiras de se mensurar o sucesso de um trabalho, e também de se massagear o ego. Não se trata então de uma questão essencial para sobrevivência. Precisamos por causa disso nos sensibilzar e, ao invés de baixarmos músicas pela
internet, comprar CDs e DVDs vendidos por preços abusivos? Eu acredito que não.

Sobre pirataria e jogos eletrônicos, veja o blog do Piero.

Friday, March 03, 2006

Minha primeira vez com um blog

Bem, esta é a minha primeira aula de jornalismo on line, e também a primeira vez que crio um blog! Vamos conferir como será minha evolução até o final do semestre.